segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Curiosidades: A evolução de várias estruturas cerebrais

O cérebro (e em 2º lugar o coração) é o órgão mais importante do nosso corpo. Sem ele, o coração pode estar a bater, mas tudo o que a pessoa é (mentalmente) deixa de existir e o corpo fica inanimado, quase como morto, enquanto que o coração continua a bater, mas isso não traz a pessoa de volta. O cérebro é também responsável pela consciência humana (como em " consiousness" em inglês), tendo sido descoberta uma rede neural responsável pela manutenção da mesma. E eu pergunto-me, como muitos de vocês devem estar também a perguntar-se: como terá isto tudo evoluído? É claro que eu, como já devem saber os que me têm acompanhado aqui, volto-me para a ciência, neste caso para a neurociência, uma área ligada à psicologia e na qual se integra a neuropsicologia e a neurociência cognitiva, e pela qual tenho grande interesse (tanto que concluí recentemente um curso de neurobiologia avançada pela Peking University) e viro-me também para a biologia evolutiva, com todas as ciências que a apoiam. É claro que quem quiser voltar-se para a religião, nomeadamente para o criacionismo, é livre de o fazer, mas não se esqueçam de que eu também sou livre de lhes chamar burros ignorantes sempre que me apetecer.
Apresento então, alguns parágrafos sobre a evolução de duas estruturas cerebrais muito importantes:

EVOLUÇÃO DO CEREBELO

O cerebelo, ou "pequeno cérebro", evoluiu primariamente para o controle da postura e do equilíbrio, além de ser importante no planejamento e na coordenação do movimento e na estabilização da visão. Trata-se de uma estrutura oval, relativamente pequena (bem menor do que o cérebro), que se aloja na fossa posterior do crânio, atrás da ponte e da medula. Além de menor do que o cérebro, ele é, em humanos, bem mais convoluto (com muitas fissuras, sulcos, lóbulos e folhas cerebelares) do que os hemisférios cerebrais.

Considerando o aspecto embriológico, o cerebelo surge do rombencéfalo, que é a estrutura embrionária que dá origem ao bulbo, à ponte, além de ao próprio cerebelo. Sob a perspectiva da evolução, ele surge nos vertebrados ágnatos como uma especialização da chamada região acústica lateral, que, nesses animais semelhantes a peixes, recebe basicamente projecções mecanorreceptoras da linha lateral. Tendo, portanto, surgido em vertebrados marítimos mais antigos (lampreias e primeiros peixes) que haviam desenvolvido musculatura do tronco, o cerebelo responde pela necessidade desses primeiros vertebrados de coordenar seus movimentos natatórios.

Em uma fase evolutiva inicial, o cerebelo surgiu em vertebrados supostamente primitivos, como as lampreias, animais aquáticos sem membros que realizam movimentos ondulatórios simples. Nesses animais, o arquicerebelo (formado pelo nódulo do vérmis e pelo flóculo dos hemisférios cerebelares), por intermédio de informações dos canais semicirculares da orelha interna, permite uma movimentação muscular equilibrada do animal no meio aquático. Quando surgem os peixes com membros, ou seja, nadadeiras, os movimentos tomam-se mais elaborados. Aqui os receptores que informam sobre o grau de contração dos músculos das nadadeiras enviam tais informações ao paleocerebelo (formado também principalmente pelo vérmis cerebelar), para que este coordene a movimentação desses membros. Nos animais com quatro membros (tetrápodes), é o paleocerebelo que controla a movimentação coordenada dos quatro membros, sejam eles anfíbios, répteis, aves ou mamíferos.

O cerebelo apresentou aumento de tamanho, desenvolvimento e complexificação importante com o surgimento das aves. Por que tal estrutura se complexifica de forma tão acentuada nas aves? A resposta mais provável decorre do fato de haver surgido nas aves a necessidade de coordenação de movimentos relacionados ao voo e da postura em dois pés (e não em quatro, como nos répteis). Esses animais passaram a necessitar de uma estrutura mais sofisticada de controle da postura, equilíbrio e movimento em seus sistemas nervosos. De toda forma, o cerebelo também varia muito entre os distintos grupos de aves e pássaros, variação que depende do tamanho global do cérebro (escalagem alométrica), da forma do crânio, de distintas exigências funcionais e ambientais e da combinação de tais fatores.

O cerebelo dos mamíferos difere do das aves por possuir hemisférios ou lobos laterais que muito se expandiram, sobretudo em mamíferos com cérebros grandes. Tais lobos laterais passaram a constituir a maior parte do cerebelo dos mamíferos. Entre as diferentes ordens e famílias de mamíferos o cerebelo é distinto; é maior em carnívoros, artiodactyla (porco, carneiro, camelo, girafa, boi, veado) e perissodactyla (anta, cavalo, rinoceronte) e menor em roedores (rato, coelho) e insetívoros (toupeira). No ornitorrinco, o cerebelo é grande, com muitas fissuras e relaciona-se funcionalmente com a eletrorrecepção (capacidade de detectar campos elétricos). Em morcegos, embora o cerebelo seja relativamente pequeno, seus lóbulos paraflocular e VIII do vérmis estão aumentados e envolvidos no complexo processo auditivo desses mamíferos voadores noturnos que utilizam os ecos sonoros para se localizarem. Nos cetáceos, em particular nos golfinhos, é muito desenvolvido, tendo um volume proporcional maior do que nos primatas (nos quais o desenvolvimento do cerebelo foi também bem acentuado). É provável que esse crescimento muito acentuado nos golfinhos se relacione com a sofisticação de movimentos demonstrada por esses animais e com o controle motor necessário para a produção das emissões sonoras, igualmente sofisticadas.

Os mamíferos nos quais as funções do cerebelo se desenvolveram de forma mais intensa foram os primatas e, em particular, o Homo sapiens. Assim, surgiu em alguns primatas a capacidade de utilizar os membros para a realização de movimentos finos, delicados e assimétricos, e isso exige uma coordenação ainda mais apurada. Entre os primatas, demonstrou-se que o cerebelo é mais desenvolvido (45% proporcionalmente maior) em grandes símios africanos (chimpanzé, gorila, orangotango) e hilobátides (gibão, siamango) do que em macacos como os saguis, micos, macacos-prego e mandris.

Assim, no cerebelo de alguns mamíferos, desenvolve-se a contento o chamado neocerebelo (relacionado principalmente aos hemisférios cerebelares e não tanto ao vérmis cerebelar). O neocerebelo coordena os movimentos finos, como o das mãos e dos dedos no Homo sapiens. Possuir tal neocerebelo (além do sistema motor piramidal dos hemisférios cerebrais), por exemplo, permite a capacidade para os intricados movimentos de mãos e dedos de uma bordadeira, de um malabarista, de um pintor ou escultor que produz miniaturas, de alguém que escreve (pense-se na escrita chinesa ou árabe) ou de um pianista ao executar um noturno de Chopin.


EVOLUÇÃO, ESTRUTURA E FUNÇÃO DO CÓRTEX CEREBRAL

O córtex cerebral é uma camada superficial de substância cinzenta composta pelos corpos dos neurónios (núcleos celulares). Mesmo que já se reconheça um córtex cerebral nos répteis e nas aves, foi apenas nos mamíferos que se desenvolveu de forma mais acentuada. Nestes, pela primeira vez na evolução, passou a apresentar seis subcamadas e uma organização citoarquitectónica bastante complexa. O córtex cerebral é de particular importância, pois de sua integridade dependem funções como as percepções, os movimentos voluntários e o aprendizado (e, nos humanos, a linguagem e habilidades cognitivas complexas como planeamento, abstracção e simbolização).

O córtex cerebral divide-se em dois tipos básicos: isocórtex e alocórtex. O isocórtex é o mais recente na história filogenética, por isso também designado neocórtex (assim isocórtex = neocórtex, mas, por motivos anteriormente explicados, deve-se preferir a designação isocórtex). A organização laminar do isocórtex parece ser similar em todos os mamíferos, sugerindo que um design ancestral foi muito útil, de tal forma que permaneceu inalterado nos grupos modernos. Na maioria dos mamíferos, o isocórtex tem seis camadas. Em relação às seis camadas de neurônios, da superfície para a profundidade, de forma simplificada, pode-se dizer que cada camada tem funções específicas, como descrito a seguir:

A camada I, ou molecular, logo abaixo da pia-máter, se constitui como uma fina camada de escassos neurônios (células horizontais de Cajal) e recebe os dendritos apicais das células piramidais situadas nas camadas mais profundas.

A camada II, camada granular externa, constituída principalmente por células granulares (Kòmerzellen), cujo número aumentou progressivamente na filogênese.

A camada III, formada por células piramidais pequenas e de tamanho médio que estabelecem comunicações com outras regiões do córtex, sendo importantes, portanto, também para a integração do córtex no sentido horizontal.

A camada IV, granular interna, é constituída por pequenas células estreladas (Stemzellen) e por células granulares, recebe inputs de ativação subcortical do tálamo ou de outras partes do córtex, sendo desenvolvida nas áreas sensitivas do córtex.

A camada V, formada por grandes células piramidais que projetam seus axônios para estruturas subcorticais. E muito desenvolvida nas áreas motoras do córtex.

A camada VI, mais profunda, formada por células fusiformes, envia especificamente informações de feedback para os núcleos talâmicos ou para outras áreas corticais que forneceram inputs para ela.

Evolutivamente, as células das camadas mais superficiais parecem ser mais recentes e participam, sobretudo, da génese de circuitos locais que aumentam a capacidade de processamento. Além dessa organização citoarquitetônica em camadas paralelas da superfície para a profundidade, verifica-se no córtex também uma sofisticada arquitetura vertical em microcolunas celulares, observáveis mais facilmente nas camadas III e V do isocórtex. Essas microcolunas celulares formam unidades funcionais básicas do córtex, cuja significação tem sido muito debatida. Alterações da organização das microcolunas em transtornos mentais como o autismo, com variação da espessura e do número das microcolunas, têm sido identificadas.

Do ponto de vista funcional, há três tipos de córtex: o córtex sensitivo, que recebe inputs, informações dos órgãos do sentido (tato, visão, audição, olfato e propriocepção), do ambiente externo e interno do organismo; o córtex motor, relacionado a ações do organismo, como contrações musculares para a realização dos movimentos, emissão de sons, produção da fala, etc.; e um terceiro tipo de córtex, que não se relaciona diretamente nem à sensibilidade nem à ação, o córtex associativo, relacionado à integração de distintas informações em uma mesma modalidade sensorial e entre distintas modalidades sensoriais, além de elaboração de planos de ação, aprendizado e, de modo geral, de toda a cognição mais complexa e flexível. Nas áreas corticais associativas, o isocórtex, ou neo-córtex, é dito homotípico, sendo as camadas bem individualizáveis. Nas áreas corticais sensoriais e motoras, o isocórtex é do tipo heterotípico e se divide em granular (que corresponde ao córtex sensorial) e agranular (que corresponde ao córtex motor).

A diferenciação das áreas corticais depende de um controle genético. Os genes Envoi e Emx2 são expressos na parte anterolateral em mínimas concentrações e na região posteromedial em altas concentrações. Já para o gene Pax6 é o contrário, expresso minimamente no córtex posteromedial e ao máximo no anterolateral.
O isocórtex como estrutura não é absolutamente novo, posto que se aceita que ele é homólogo ao córtex dorsal dos répteis e também possivelmente a uma região subcortical (também dos répteis) chamada crista ventricular dorsal (dorsal ventricular ridge). Entretanto, o córtex dorsal dos répteis é uma camada bastante fina e pequena de tecido, apresentando raramente mais do que uma faixa única de neurônios. Em contraste, os mamíferos apresentam um isocórtex configurando uma grossa camada cortical, dividida em várias camadas de células, com diferentes tipos e densidades celulares.

Em contraposição ao isocórtex, o alocórtex é um tipo de córtex mais antigo na história filogenética, tendo quatro camadas e não seis, como o isocórtex. Divide-se em arquicórtex, sendo este o tipo de córtex do hipocampo, e em paliocórtex, que é o tipo de córtex do úncus e de parte do giro para-hipocampal.
Cabe lembrar que, enquanto peixes, répteis e aves têm paleocortex e arquicórtex, apenas os mamíferos apresentam um isocórtex ou neocórtex.

A medida que os mamíferos evoluíram, ocorreram dois processos com o córtex das diversas ordens:
I - O alocórtex (antes designado arquicórtex e paleocortex), de modo geral, se desloca para uma posição mais ventral, e o hipocampo (também formado por alocórtex) dobra-se na massa visceral embaixo do isocórtex;

I - O isocórtex (também designado neocórtex) se expande muito e começa a dobrar-se sobre si mesmo, formando os giros, os sulcos e as fissuras que caracterizam o cérebro muito convoluto de cetáceos, elefantes e grandes primatas.

Dessa forma, o córtex cerebral se transformou bastante ao longo da evolução dos vertebrados, diversificando seus tipos de neurônios, diferenciando sua estrutura laminar de variadas formas, alterando suas conexões, mudando seu tamanho global e os tamanhos das diversas áreas corticais, adicionando novas áreas corticais e dividindo áreas em módulos especializados de unidades de processamento. Obviamente, mudanças no isocórtex foram acompanhadas de mudanças em outras áreas do sistema nervoso. Além disso, nos distintos mamíferos, a quantidade relativa de isocórtex foi ganhando proporções diferentes. Por exemplo, entre diferentes ordens de mamíferos, verificam-se distinções significativas: nos insetívoros ou soricomorpha (como a toupeira), com seus cérebros pequenos, o isocórtex e as fibras subjacentes formam menos de 30% do tamanho total do cérebro, que é o mais liso, com menos giros; em contraste, cerca de 70% do cérebro dos macacos é formado por isocórtex, compreendendo 75% do cérebro dos chimpanzés e cerca de 80% dos cérebros humanos. Outra maneira de expressar a importância relativa do isocórtex nos mamíferos é comparar a proporção de isocórtex com alocórtex ou arquicórtex. Assim, o porco-espinho, um mamífero mais próximo do ancestral comum a todos os mamíferos, tem uma proporção de volume de isocórtex em relação ao alocórtex de 3:2; nos grandes primatas, tal proporção aumenta para 30:1.

Os mamíferos, de modo geral, apresentam uma ampla faixa de adaptação tanto à vida terrestre como aquática. No início, há cerca de 220 a 200 milhões de anos, seu sucesso como classe deveu-se, em parte, a uma nova estrutura, o córtex cerebral olfactivo. Essa expansão do tecido nervoso proveio da parede dorsal de estruturas cerebrais olfactivas mais antigas. Com a evolução das diferentes ordens de mamíferos, ocorreu um deslocamento do controle funcional para outras áreas do cérebro. Além disso, a função fundamental de integração das informações oriundas das várias modalidades sensoriais passou a depender cada vez mais da dominância cortical sobre o controle talâmico. Por conta disso, o tálamo, com suas subdivisões correspondentes às áreas neocorticais apropriadas, foi se tornando cada vez mais subordinado ao controle do isocórtex.


Qual a minha opinião sobre a abordagem behaviorista e cognitivo-comportamental da psicologia?

Ora bem, penso que está na altura de tirar as teias de aranha e o pó a este blog. Desde de que tenho blog no tumblr que tenho actualizado o blog com muito menos frequências e julgo ser fácil perceber porquê. No entanto o blog não está "morto" e agora quero aproveitar um tema que surgiu lá também a propósito de umas questões que me foram colocadas, que são sobre o behaviorismo e a análise comportamental. Ora, na minha opinião (e de muitos especialistas e investigadores), a psicologia não pode viver apenas da abordagem behaviorista (incluindo a análise do comportamento). No entanto, é uma dos melhores em termos científicos. É muito mais científico do que, digamos, a abordagem freudiana e ainda é algo aplicável até hoje. A abordagem cognitivo-comportamental (em terapia e teoria), que é uma mistura da primeira com a cognitiva, é talvez a minha favorita porque ele funciona na prática. A TCC é uma das abordagens de tratamento mais bem empiricamente suportadas (inclusive para perturbações de personalidade) e a abordagem cognitivo-comportamental também explica os comportamentos mal-adaptados das pessoas (a maneira como foram aprendidas). Esta abordagem anda normalmente a par e passo com as neurociências (daí que existe até na minha universidade um mestrado em neurociência cognitiva e neuropsicologia). 

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Batendo na mesma tecla

Ah criacionistas burros! 
E pronto, eles lá continuam a usar o argumento da complexidade irredutível, e o meu texto hoje tinha que começar com um insulto - nada que não seja uma realidade, mas ainda assim um insulto. Também não sei uma maneira simpática de dizer a alguém que é burro. Talvez seja algo como: caro respeitado criacionista, o seu QI é provavelmente muito baixo, por isso deverá contactar um psicólogo clínico ou neuropsicólogo ou outro profissional da área que actue num destes campos da psicologia. 
Adiante, o facto de um sistema biológico apresentar complexidade irredutível não obriga a que esse sistema não possa ter uma origem que não envolva um designer inteligente. Vários exemplos, incluindo exemplos apresentados por Behe na sua obra “A caixa negra de Darwin”, demonstram isso mesmo. Por não podermos tirar uma "peça" agora, na presente forma do sistema funcional, pois este deixaria de funcionar não significa que não pode ter evoluído de um sistema arcaico bastante diferente e em muitos casos com outra função. Julgo que já tinha dito isto na primeira versão do blog para a qual existe aqui uma ligação bem visível. 
Assim me despeço nesta noite quente e comigo já estafada, que acabei de chegar a casa e deparei-me com isto, num texto [links para os comentários ao texto] ao qual eu respondi e outras pessoas mais bem informadas do que o autor também.

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Carapaça de tartaruga evoluiu pela primeira vez para cavar, depois para protecção

"... grandes garras para romper o solo e os ossos espessas para resistir a forças de compressão.
A carapaça da tartaruga é um maravilhoso exemplo de exaptação, processo evolutivo, onde um traço evolui para uma função e, em seguida, é cooptado para servir outra. Eles começaram como plataformas de escavação e, em seguida, tornaram-se armaduras. As penas são outro exemplo. Agora ajudam os pássaros a voar, mas provavelmente originaram-se como formas de manter o calor ou de sinalização para companheiros e rivais. "

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Macacos sem cauda


     Weirdest Human Mutations



As verdadeiras caudas vestigiais são prova da evolução e da ancestralidade comum com outros mamíferos com cauda:

«As with other atavistic structures, human tails are most likely the result of either a somatic mutation, a germline mutation, or an environmental influence that reactivates an underlying developmental pathway which has been retained, if only partially, in the human genome (Dao and Netsky 1984; Hall 1984; Hall 1995). In fact, the genes that control the development of tails in mice and other vertebrates have been identified (the Wnt-3a and Cdx1 genes; Greco et al. 1996; Prinos et al. 2001; Schubert et al. 2001; Shum et al. 1999; Takada et al. 1994). As predicted by common descent from the atavistic evidence, these tail genes have also been discovered in the human genome (Katoh 2002; Roelink et al. 1993). As discussed below in detail, the development of the normal human tail in the early embryo has been investigated extensively, and apoptosis (programmed cell death) plays a significant role in removing the tail of a human embryo after it has formed. It is now known that down-regulation of the Wnt-3a gene induces apoptosis of tail cells during mouse development (Greco et al. 1996; Shum et al. 1999; Takada et al. 1994), and similar effects are observed in humans (Chan et al. 2002). Additionally, researchers have identified a mutant mouse that does not develop a tail, and this phenotype is due to a regulatory mutation that decreases the Wnt-3a gene dosage (Greco et al. 1996; Gruneberg and Wickramaratne 1974; Heston 1951). Thus, current evidence indicates that the genetic cause of tail loss in the evolution of apes was likely a simple regulatory mutation(s) that slightly decreased Wnt-3a gene dosage. Conversely, a mutation or environmental factor that increased dosage of the Wnt-3a gene would reduce apoptosis of the human tail during development and would result in its retention, as an atavism, in a newborn.»

Enquanto que chimpanzés por exemplo não têm cauda, o facto de nós apresentarmos cauda, só afirma que temos ambos uma ancestral comum com cauda, pois a nossa relação filogenética já é evidenciada pela genética, e detecção de retrovírus no genoma, entre outras evidências. 

Para mais informações consultar a página web: http://www.talkorigins.org/faqs/comdesc/section2.html#atavisms_ex2  

Alternativamente, consultar o e-book em pdf: http://www.talkorigins.org/pdf/comdesc.pdf 






quarta-feira, 27 de abril de 2016

Aumento da escolaridade obrigatória e suas implicações para a formação profissional, as gerações futuras e anteriores

O aumento da escolaridade obrigatória (para o ensino secundário) em Portugal tem certamente implicações para os alunos que chegaram no ano lectivo 2014/2015 ao fim do ensino secundário e mais jovens, cujo nível de escolaridade passa a ser a escolaridade obrigatória. No entanto, não só para esses. Na minha geração já se sentiu uma necessidade de aumentar o nível de escolaridade e se alguma coisa fez esta medida foi fazer com que, face à possível desvalorização do 9º ano de escolaridade (antiga escolaridade obrigatória) se procurasse pelo menos atingir o 12º de escolaridade (profissional ou mais orientado para o prosseguimento de estudos superiores). Isso faz com que, por exemplo, cursos de formação profissional contínua com escolaridade mínima de entrada correspondente à escolaridade obrigatória, o 9º para muitos, se não uma maioria dos que os procuram, sejam frequentados a partir da minha geração (ou até mesmo de gerações anteriores) por pessoas que, tendo 16 anos ou mais, já se encontram a frequentar o ensino secundário (11º ano, com um percurso académico normal), o que faz pensar se o seu conteúdo não deve ser modificado, também tendo em conta a área de formação e o nível de dificuldade consoante a mesma, para se enquadrar nas necessidades educativas de pessoas com cada vez mais formação a nível escolar/ académico ou se deverão manter como está tendo em vista a acomodação dos que ainda procuram esses cursos com um nível de escolaridade ao nível do 9º ano. 
Mais importante ainda será a questão de que num futuro próximo provavelmente será implementada a obrigatoriedade da titularidade do certificado de ensino secundário para a frequências desses cursos de formação profissional, que corresponderá ao mesmo nível de escolaridade exigido para os cursos de formação profissional avançada. 
Talvez por logicamente seguir que a partir de certa geração o nível mínimo de escolaridade irá aumentar para a maioria dos que os frequentam poderá valorizá-los aos olhos do público que se aperceba da situação, no entanto, é um pau de dois bicos, pois a exigência do 12º ano como escolaridade mínima poderá ainda conduzir a uma desvalorização do ensino secundário aos olhos dos empregadores, pois, enquanto que é o primeiro nível antes dos cursos ministrados em instituições de ensino superior e a formação avançada, é também algo que toda a gente possui - até os titulares de qualificação de nível 4 poderão ficar desvalorizados. 
Para terminar, quanto à determinação dos impactos educacionais e psicológicos (na motivação, auto-imagem, etc.), é difícil de determinar um tendência sem um estudo mais ou menos global das reacções, atitudes e dados de prosseguimento de estudos, no entanto a evidência anedótica que tenho e a própria lógica leva-me a querer que poderá haver uma "queda" em termos de auto-imagem devido à desvalorização do nível de escolaridade que já atingiram, mas um maior incentivo à procura de mais e melhor formação. 

terça-feira, 26 de abril de 2016

Virologia da fé (Revisitado)



«Virologia da fé : 

Família: Féviridae

Subfamília: Févirinae

Género: Févírus

Ácido nucleico: DNA desnaturado

Envelope: estragado

Proteínas de ligação á célula: Cristianismo, Islamismo, Judaísmo, etc 

Patologias: ignorância, défice cognitivo e de aprendizagem, paranóia, obsessão pelo uso de argumentos da ignorância, criacionismo.

Os sintomas podem incluir: diminuição da performance cognitiva (com diferenças acentuadas nos testes de QI) e demonstrações de ‘medievalismo’

Fisiologia da doença: morte de neurónios (daí o défice cognitivo) » - Foi o que isto me fez lembrar:

http://greensavers.sapo.pt/2014/11/10/virus-que-torna-os-humanos-mais-estupidos-descoberto-por-acaso/ 

quarta-feira, 23 de março de 2016

Uma boa lista de órgãos vestigiais no corpo humano.

Inclui pêlos (sim, eles são vestigiais, pois já não desempenham uma função importante, embora ainda retenham alguma, só fazendo sentido sendo uma herança dos nossos ancestrais peludos), um músculo perfeitamente redundante no pulso e os músculos da orelhas também redundantes para nós humanos, mas nem tanto para outros mamíferos, assim como o tão conhecido coccix, que é uma cauda vestigial algumas das últimas vértebras que muitos têm não estão lá a fazer nada (outras servem como uma espécie de âncora para certos músculos pélvicos), assim como as caudas vestigiais presentes nos embriões e em alguns bebés, assim como alguns reflexos inatos semelhantes aos movimentos dos símios.

segunda-feira, 21 de março de 2016

Sobre prática clínica baseada em evidências, psicanálise e psicopatia


Enquanto que eu não sou grande admiradora do Freud e da vertente psicanalítica, pois a mais antiquada é a que tem piores resultado empíricos em termos de tratamento, a psicodinâmica tem resultados um pouco melhores, sendo que a melhor é a cognitivo-comportamental, a estrutura da personalidade baseada na teoria de Freud (ego, superego, id, com os seus vários níveis de consciência: consciente, pre-consciente e inconsciente) tem algum apoio de estudos de neuroimagem e da vertente neurocognitiva e até outros aspectos das teorias baseadas nas suas ideias. Uma curiosidade é que aquilo que pode ser chamado de mais primitivo na estrutura Freudiana da personalidade, ou seja, o id inconsciente, é associado com áreas como o hipocampo e o sistema límbico, o qual é evolutivamente conservado em mamíferos se não estou em erro. No entanto, eu não acho os resultados e os estudos do Freud grandemente importantes como contribuição para o campo da psicologia devido em parte aos métodos somente baseados em casos clínicos individuais, os quais não se podiam reproduzir, e alguns dos resultados não foram assim tão bons mesmo ao nível clínico individual, etc. Eu e o Dr. Freud não nos damos lá muito bem, portanto. Como eu disse, nem tudo é mau na teorias baseadas nas ideias e no trabalho dele, e eu tenho estado curiosa sobre como interpretar a mente de um psicopata ou mesmo de um narcisista patológico à luz da teoria da personalidade psicanalítica. Então, encontrei um artigo que diz, o que eu já pensava: não há estrutura tripartida bem definida, mas sim um self óptimo vs. os outros todos e em alguns casos há um superego "vestigial" (obrigada biologia evolutiva), subdesenvolvido e sádico na estrutura do psicopata. No narcisista é semelhante, mas há quem diga, que o Ego acaba por controlar o superego, que, estando lá, é pouco desenvolvido em relação ao Ego (sobredesenvolvido) e é "esmagado" por este (isso, tal como os estudos neurológicos, foi discutido na disciplina de Teorias da personalidade e aprendizagem).


Link para as referências:

Theories of Personality: PSYCHODYNAMIC THEORIES

Psicanálise e neurociências

Tell It About Your Mother: Can brain-scanning help save Freudian psychoanalysis?

A Psychoanalytic View of the Psychopath

segunda-feira, 14 de março de 2016

Lei da palmada, versão portuguesa (ou Teoria da estupidez)


Portugal, ao contrário do Brasil (*a), possui desde 2007 uma  verdadeira lei da palmada. Sim, leram bem, aqui em Portugal, é punido por lei dar uma inofensiva palmada que seja no filho que se porta mal, que até pode estar horas a fazer uma birra, pois não interessam as circunstâncias. No entanto, não são assim tantos os países que têm leis semelhantes e provavelmente serão ainda menos os países que as colocam em prática. Quem leu o meu artigo anterior (neste mesmo blog) já sabe qual é a minha opinião sobre os efeitos do castigo corporal sem consequências para a integridade física: não há qualquer razão para que se proíba/ puna por lei, isso é um exagero. Castigo corporal não severo, sem consequências para a integridade física não tem provavelmente consequências nefastas para a saúde mental do indivíduo por si só e certamente não tem quaisquer consequências para a saúde física. Por esta última razão, nunca por nunca este deve ser comparado com qualquer tipo de agressão física que normalmente resulte em danos corporais (como é a violência doméstica contra mulheres), que é o que esta lei fez, incluindo-o na mesma secção e aplicando-lhe uma pena de prisão semelhante (1). 
No entanto, nem tudo são más notícias: segundo o que me foi dado a conhecer aquando de uma palestra e discussão sobre a temática no âmbito da disciplina de Técnicas de Comunicação e Aprendizagem, incluída no programa de licenciatura em psicologia na Universidade do Algarve, com a participação da Dr.ª Élia Ramos (psicóloga que investiga casos de supostos maus tratos), de um modo geral essa lei não está a ser posta em prática, mesmo em casos em que há denúncia e, à semelhança de outros países em que o castigo corporal é legal, nos quais apenas os casos mais graves são levados a tribunal e punidos, sendo uma da razões a falta de recursos humanos para lidar com tantas denúncias, pelo que acabam por só considerar os casos mais graves e em que há mais evidências que se podem levar para tribunal. Outra razão que pode ser apontada é que os próprios profissionais que lidam com estes, como a própria Dr.ª Élia não consideram dar um par de palmadas num filho com birra um acto que deve ser punido por lei, consideram sim que, não sendo a melhor opção, é inofensivo, desde que não se torne constante, o que é uma posição obviamente razoável.

Mesmo quem não concorde comigo na questão atrás mencionada ou não considere que se deva disciplinar os filhos dessa maneira terão que concordar que é uma lei que não tem possibilidade de se fazer cumprir neste país, sendo por isso inútil e uma perca de tempo que só demonstra falta de contacto com a realidade e falta de visão, se não mesmo de inteligência. E se essas pessoas realmente se preocupam com o bem-estar da criança, certamente que têm que concordar comigo em que o melhor para a criança, com ou sem palmadas, não é ter o pai ou a mãe ou ambos na prisão/afastados deles por lei, certamente. A menos que os maus-tratos sejam graves, viver sem mãe e/ou sem pai pode fazer muito pior, especialmente se a criança for institucionalizada - o ser humano evoluiu para depender dos pais para o seu desenvolvimento físico, psicológico e social na infância. 

Resumindo: a boa notícia é muito pouco provável que se vá para a prisão por dar um par de palmadas num filho - só é proibido em teoria. A má notícia é que se perde tempo neste país com leis que não podem sequer ser cumpridas

(*a) Nota: Apesar do título, a lei portuguesa está longe de ser equiparada à lei brasileira, que não é punitiva e menciona, em vez de castigo corporal, castigo físico, que no sentido jurídico (no Brasil, pelo menos) tem um significado um tanto diferente do que tem na linguagem corrente: neste caso tem que causar lesão ou sofrimento, o que deixa margem para uma interpretação subjectiva (consultar o seguinte texto:
Lei da Palmada no Brasil: Existe de facto uma lei merecedora do nome?)


Ligação para o artigo do código penal: 





Lei da Palmada no Brasil: Existe de facto uma lei merecedora do nome?

Há uns tempos atrás surgiu uma polémica a respeito de uma lei que foi proposta no Brasil que procurava banir qualquer tipo de punição corporal - sim, até mesmo as inofensivas "sacudidelas de pó" (palmadas) - totalmente legal em vários países europeus desenvolvidos, bem como em vários estados dos E.U.A (1). 
Se o leitor tem vindo a acompanhar a minha actividade online, deve já ter reparado que eu acho um exagero que hajam leis contra dar uma palmada ou mesmo um par delas nos filhos quando estes se portam mal, especialmente leis punitivas. Na altura pensei apenas isso mesmo: "Mas que exagero! Espero que não passe". Mas passou. No entanto, não sem ocorrerem alterações: a expressão "castigo corporal" mudou para "castigo físico", que no sentido jurídico (no Brasil, pelo menos) tem um significado um tanto diferente do que tem na linguagem corrente: neste caso tem que causar lesão (2). Ora, enquanto que eu não posso ter a certeza do que constitui lesão em termos legais no Brasil (tal como aconteceu com a expressão castigo físico, pode ter um significado um tanto diferente do que tem em linguagem corrente), seria difícil de defender que um palmada ou duas seguidas causem lesão, mesmo que esta seja apenas considerada como causar dor - ora experimentem lá dar uma palmada em vocês mesmos por cima de umas calças de ganga ou mesmo de fato de treino comuns. Além disso, e talvez ainda mais importante, é difícil dizer que esta lei proíbe seja o que for - para já isso não está escrito em lado nenhum, e não é uma lei punitiva, mas sim educacional (3), apenas para dizer que o castigo físico não deve ser visto como uma boa opção - não, os pais não vão para a prisão, quanto muito poderiam ter algum tipo de acompanhamento profissional. 
Portanto, será que os pais continuam a poder disciplinar os filhos recorrendo a castigos corporais? Podem. Está mais que claro que podem. Será que eles devem? A lei não é clara, pois mais uma vez, aqui refere-se a castigo físico e não castigo corporal.  

Mas, leis brasileiras à parte, será que se deve utilizar o castigo corporal como a palmada?

Pelo que eu sei, e eu sou estudante de psicologia na universidade, na minha opinião pode-se dizer no sentido mais lato que há consenso entre os peritos (psiquiatras, psicólogos e outros investigadores da área da saúde mental). Isto é, se eu tivesse que responder sim ou não, eu responderia que sim, no sentido em que se pode e talvez se deva em alguns casos. Por alguma razão o DSM-5 não inclui as palmadas sem consequências para a integridade física como sendo consideradas actos abusivos (4), e a mais lógica é que as pessoas que trabalham na sua actualização, analisando vários estudos acharam os seus efeitos de um modo geral mínimo. É verdade que certos estudos demonstram que castigos corporais frequentes estão associados com o aparecimento de problemas mentais teias como a depressão na idade adulta e neste aspecto, segundo a OMS isso seria passível de ser considerado abusivo, se encarássemos isso como um efeito causal, uma vez que tem uma má influência no desenvolvimento da criança (5). No entanto, apenas alguns estudos longitudinais que preenchem vários requisitos mínimos é que podem estabelecer causalidade com uma grande margem de erro (6). Eu não me consigo lembrar de tudo a respeito do estudo que li, pois já lá vão anos desde que o li. Encontrei uma revisão da literatura (7) que aponta para o que me parece ser um consenso: apenas castigos frequentes e severos estão associados com mau desenvolvimento mental da criança - portanto, se de facto há algum efeito causal, é aqui que reside a explicação e não no simples uso de disciplina física. Mas parece haver um estudo que dizem desafiar esse consenso: um estudo que revela que até baixos níveis de castigos físicos parecem ter impacto no desenvolvimento mental da criança, estando associado com comportamento antissocial. No entanto, isto é um estudo de associação, embora algumas variáveis tenham sido controladas (7), isso não chega para estabelecer causalidade (como eu disse, só alguns estudo longitudinais que preenchem critérios específicos é que podem estabelecer uma relação de causalidade com uma grande margem de erro), e muito menos que esse é principal determinante, especialmente quando é conhecido que é frequentemente observável que por cada 60 ou 70 vezes que os putos ouvem "Olhas que levas", apanham 2 ou 3 vezes. Portanto, há uma forte possibilidade de não ser a prática em si, mas a maneira como é feita - nisto, até pessoas que defendem que é um tipo de castigo que não deve ser posto em prática terão que concordar comigo (8) - , e certos cientistas sociais defendem que os efeitos da mesma dependem da maneira como é encarada - como uma imposição de limite ou como agressão (9). Então, voltando aos estudos sobre a frequência do uso da disciplina física, será que nos casos de uso mais frequente havia maior tendência para ser percebido como agressão?
Parece-me haver, então, uma tendência nos estudos e nas opiniões para apontar como factores associados a problemas de desenvolvimento mental apenas os castigos frequentes e/ou severos, e certamente que não se referem a dar mas palmadinhas no traseiro de vez em quando. 
Quanto à eficácia deste tipo de castigo, só funciona em situações limitadas, por isso, na minha opinião, não é de facto a melhor opção e por isso só deve ser usada como último recurso e dentro do que é considerado inofensivo para a integridade física. 

Adenda: a palavra sofrimento foi também incluída como castigo físico, no entanto, isso torna a interpretação da lei ainda mais subjectiva, pois pode ser defendido que uma palmada ou duas podem não causar sofrimento (ver 2º parágrafo), pelo que não muda muito a conclusão deste post, especialmente (mas não apenas) porque não é uma lei punitiva, por isso, dificilmente bane ou proíbe seja o que for.

Links para as referências: 

1. Corporal punishment in the home - wikipedia

2. Projeto de lei que proíbe pais de bater em filhos é aprovado

3. PL 7672/2010 

8. Treta da Semana: Arreia-lhe enquanto não cresce

Bibliografia:

4. American Psychiatric Association. (2013). Diagnostic and statistical manual of mental disorders (5th ed.). Washington, DC: Autor.  

5. Butchart, A & Harvey, A. P. (2006). Preventing Child Maltreatment: A Guide to Taking Action and Generating Evidence. Acedido em Fevereiro 8, 2016, em http://apps.who.int/iris/bitstream/10665/43499/1/9241594365_eng.pdf 

6. Schuck, AM, Widom, CS (2001). Childhood victimization and alcohol symptoms in females: Causal inferences and hypothesized mediators. Child Abuse & Neglect, 25(8),1069–1092. Acedido em http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0145213401002575

7. Smith, A. B. (2006). The State of Research on the Effects of Physical Punishment. Social Policy Journal of New Zealand, 27. Acedido em: https://www.msd.govt.nz/about-msd-and-our-work/publications-resources/journals-and-magazines/social-policy-journal/spj27/the-state-of-research-on-effects-of-physical-punishment-27-pages114-127.html 


9. Gunnoe, M. L., Mariner, C. L. (1997). Toward a Developmental-Contextual Model of the Effects of Parental Spanking on Children's Aggression. Archives of Pediatrics and Adolescent Medicine, 151(8), 768-775. Acedido em http://archpedi.jamanetwork.com/article.aspx?articleid=518459. doi:10.1001/archpedi.1997.02170450018003  

sexta-feira, 4 de março de 2016

Aviso

O blog do Tumblr, ao qual vão dar bastantes links em textos deste blog, foi apagado, mas poderão consultar uma cópia no link que vou deixar na ligação que dantes ia lá ter. 

Actualização: Links para essa cópia como arquivo estão agora disponíveis. O antigo link para o blog do Tumblr vai agora dar ao novo blog.

Sobre psicologia, prática baseada em evidências e psicanálise

Se alguém aí se interessa por psicologia e também por definir o que pode ser considerado ciência (ou "boa ciência"), terá certamente interesse em ler isto e isto para começar e a partir daí explorar o assunto - dica: a estrutura básica proposta por Freud é uma boa ideia (com algum suporte em dados neurobiológicos), mas basear a intervenção clínica na psicanálise freudiana nem tanto. 

domingo, 28 de fevereiro de 2016

Fazer a cama para os filhos

De vez em quando em revistas aqui e ali, aparecem referências à alta prevalência e incidência de depressão e ansiedade nos países industrializados nos últimos anos. Problemas relacionados são o stress financeiro (hipotecas, não conseguir ganhar o suficiente, poupar o suficiente, etc.), problemas ou desafios na escola (no caso dos mais jovens), stress no trabalho, nas relações, as quais são muitas vezes afectadas pelo stress no trabalho, e afectam os níveis do mesmo. As soluções vão desde as mais racionais/ devidamente estudadas e baseadas na ciência, passando pelas que misturam ciência psicológica com espiritualidade individual (que aqui não tem muito a ver com religião ou deuses), tendo alguns efeitos positivos na prática, até àquelas que até podem funcionar na prática com algumas pessoas, mas têm uma base algo questionável. Isto tudo para chegar à parte em que me questiono sobre a origem das várias causas apontadas. E de onde é que elas vêm? Ora, vêm do próprio sistema que o ser humano criou ele mesmo. Modelo: casa (pai, avós, etc.), educadora de infância/ ama, escola (agora a escola, os estranhos que nela vagueiam de nariz empinado mandam – ou pelo menos querem mandar – na vida quase toda dos jovens e até dos pais!). Depois vem a faculdade, mais uma vez, tu és mandada fazer isto, e mais aquilo, e mais “aclotro”, e no fim, ainda pagas se queres (stress financeiro). Acabados finalmente os estudos que pareciam intermináveis (às vezes depois do mestrado/doutoramento ou da segunda licenciatura frequentada) vêm, com “sorte”, as 40 horas semanais pagas como se dessem esmola a um mendigo. E muita gente não gosta. Aliás, pela minha experiência, um trabalho é um trabalho, é feito porque tem que ser, porque “temos que sobreviver”, mas muitos não gostam nem um bocadinho de trabalhar 40 horas por semana e serem mal pagos. E a escola não está muito mais recheada de verdadeiros entusiastas, embora a partir de uma certa altura finjam até para eles próprios que a escola é “fixe” e serve para fazer amigos (isso distrai-os da verdadeira realidade da escola que os segue quase até à hora de deitar).

    Em adultos, e continuando a fazer as coisas porque tem que ser, não porque gostem minimamente, dizem que os melhores tempos da vida deles foram os de estudante. Há duas maneiras de abordar esta defesa emocional, a qual recorre à nostalgia. Primeira: Não é por repetirem vezes sem conta para quem quiser ouvir que comer lama é bom que o torna realidade. Lama é sempre lama. Segunda: não é por a lama não saber tão mal como a merda que passa a saber bem. Como eu disse, lama é sempre lama, não se transforma em mousse de chocolate através de palavras mágicas repetidas ad infinitum. Mas quem criou este sistema e o perpetuou através de mentiras (para si próprio e para os outros) foram os antepassados dos de agora, que, por sua vez vão perpetuá-lo de igual modo. Conclusão: não culpem apenas a vossa química cerebral ou a vossa aparente “inabilidade” de se “adaptarem ou de aceitarem ou seja daquilo que for”: culpem o mundo em que vivem e as pessoas que o criaram e não sejam como elas. Quanto aos (poucos na minha opinião) que não tiveram uma experiência negativa na escola – e não falo sequer de não sofrer gravemente de bullying, mas sim de ter uma experiência verdadeiramente positiva –, reflictam e pensem que provavelmente não é assim para muitos e esqueçam os velhos mantras de “a vida de estudante vai acabar por ser a melhor fase da tua vida”, porque isso não a torna melhor para a outra pessoa mesmo que ela aprenda a repetir o mesmo mantra. É algo provável que esta não esteja verdadeiramente a gostar da experiencia, e se for alguém com espírito crítico, pode é pensar “que raio de tortura ainda estará para vir?” ou “isso só pode ser mentira ou a experiência dele é excepcionalmente diferente da minha”.  

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Últimas notícias sobre criacionismo vs. evolução...

... notícias que não são já notícias (coisas como casos pontuais de tecidos moles anormalmente preservados em que há explicações propostas, etc.), mas que podem de qualquer maneira ser encontradas no google+.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Posts sérios

Já não tenho muita paciência para posts sérios. No entanto, encontrarão muitos no meu velho blog (com o mesmo título), neste endereço: 

A perspectiva do código


Caríssimos, aqui me encontro para vos falar de códigos. Isso mesmo, códigos. Na natureza, basicamente tudo o que observamos são códigos: o código das marés (alta ou baixa) que correspondem a determinadas fases da lua, o código do estado do tempo: ora, se "faz sol" isso quer dizer que cabelo está "seco", bem como os códigos das estações do ano: aqui no Algarve, por exemplo, o significado de inverno é o mesmo que da primavera lá no Norte do país. Como não podia deixar de ser nós também temos códigos altamente inteligentes e especificados, como informação especificada em código, por exemplo no nosso DNA. No nosso DNA há 4 letras básicas que vão formar codões que vão corresponder a certos aminoácidos (que já agora são normalmente conjuntos de 3 letrinhas) tal e qual o código Morse, pois necessitam de inteligência pois todo o código necessita de inteligência claro está - até o código das marés e da lua, tudo isto criado por nosso senhor jesus cristo - sim, até os pregos com que o pregaram à cruz, pois este tinham um código também: quanto mais fundo, mais sangue corria. 
Noutro dia, estava eu dando uma aula sobre o código (super-hiper) inteligente do DNA e fui interrompido pela Maria Madalena Teodósio (também conhecida como MissAtheist32), uma comentadora insolente, que dizia que o DNA era só uma molécula que reagia com outras moléculas (quando sabemos que não é nada disso, é um código, cheiro, a abarrotar de informação codificada!) e que que devia representá-lo para me elucidar sobre o assunto. Na sua arrogância ateísta, ela mandou (vejam bem!) mandou-me desenhar uma molécula de DNA! Como se não houvessem já tantos desenhos desses por aí; basta fazer uns quantos rabiscos e escrever as quatro letrinhas básicas: A, C, T e G, por isso lhe mostrei um video ilustrativo (como se ela não soubesse!). 
Ela disse também que este tipo de código (num sentido mais lato - seja lá isso o que for) não precisa de inteligência ao contrário das correspondências arbitrárias como o código Morse! Mas vejam lá se uma coisa destas é possível, caríssimos! Um código inteligente sem inteligência! Só um ser inteligente (como nosso senhor feito homem nascido de uma virgem, omnisciente, omnipotente e logos) podia ter feito tal código e ter codificado tal informação!  
Senhores ouvintes, ide por mim! Porque esta Maria Madalena Teodósio é uma convencida básica que nada percebe de genética! Ide ver: todos os livros de biologia falam no código genético: até lá está a tabela do código criado por deus que é Jesus e logos! Nenhum ateu pode negar este facto a não ser por ideologia ou ignorância.

Prof. Jónatas Machado*



*também conhecido como "Perspectiva" e "Criacionismo Bíblico". 

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Nota: Foi da maravilhosa secção de comentários do "Que treta!" que eu retirei a minha inspiração para este post, especialmente no seguimento do meu último comentário postado nesse mesmo endereço e no google +.  



segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

A desonestidade dos criacionistas: esperando por várias mutações

Do Sandwalk chega-nos mais um exemplo da desonestidade (intelectual) dos criacionistas. Sinceramente, vender banha da cobra é a vocação deles, não a ciência. Essa é mesmo melhor deixarem-na para os cientistas.

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quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Descoberta mutação que auxiliou a evolução da multicelularidade

Foi descoberta, através da reconstituição de proteínas ancestrais, a mutação que auxiliou a evolução da multicelularidade quando a pequena "cauda" do ancestral unicelular se tornou menos importante aquando da aquisição da capacidade de orientação por uma das cópias de um gene duplicado que possuía a tal mutação. 

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