terça-feira, 4 de abril de 2017

Breve comentário sobre Ressonância magnética funcional



Hoje encontrei um
artigo de opinião da Nature que dizia o seguinte: «The technique reveals changes in blood flow within the brain, thought to correlate with brain activity, and it has become popular in research. But most fMRI studies are small, unreplicated»


Enquanto que não discordo totalmente da afirmação, penso que, tratando-se de um artigo de opinião e destinado a ser lido pelo público em geral, não foi fraseada da melhor maneira possível. Ao fim e ao cabo o que quer isto dizer, quer dizer que são um enorme falhanço em termos científicos? Não, não é isso que a afirmação quer dizer, pois estudos não replicados não significa que não possam ser replicados, apenas que ainda ninguém o fez e que é necessário mais trabalho nesse campo. Mas os resultados estão lá, existem e não são de desprezar.

O artigo dizia ainda: «Moreover, a recent scan, say some critics, wouldn't necessarily indicate Dugan's mental state when he committed his crimes.»

Ora, quando se fala de um construto de personalidade como a psicopatia, algo que é estável ao longo do tempo e das situações de um modo geral, esse argumento não se aplica e a razão é mais pu menos óbvia.





sábado, 7 de janeiro de 2017

O William Lane Craig é um embaraço...

Se eu fosse filósofo, teria vergonha de tê-lo como colega. Mas os cientistas não devem julgar todos os filósofos por causa apenas deste que é um embaraço para a profissão - Por que o argumento cosmológico dele é a coisa mais idiota que eu já ouvi (uma das razões):

«Craig, for his Kalam Cosmological Argument to stand, needs this universe to have an absolute beginning since1) Everything which begins to exist has a cause for its existence2) The universe began to existC) Therefore, the universe has a cause for its existenceSo Craig needs premise 2 to be correct. As a result, he does his best to laud the science/cosmology which defends premise 2, cosmology which concludes that there was an absolute beginning. He also does his level best to debunk science which concludes that the universe was past eternal or has had successive bounces, such with some scenarios of Loop Quantum Cosmology (this may include time starting again and again – I believe there are inflationary and cyclical models of LQC – as Wilson-Eqing states, “LQC naturally gives a bouncing universe: the big bang singularity is resolved.” For those particularly adept at understanding such matters, the cyclical nature of the universe driven by LQC is reviewed here by Yongge MA in the Journal of Cosmology.). For an overview on the idea of the Big Bounce in cosmology, see the wiki entry here. See also skydivephil’s own video concerning LQC.One such cosmological model which defies premise 2 is Sir Roger Penrose’s Conformal Cyclic Cosmology or CCC. Penrose was himself one of the original purveyors of the Standard Model, with Hawking, which led to the conclusion that there was a singularity which defined an absolute beginning at the Big Bang. Here is the wiki entry on CCC:The conformal cyclic cosmology (CCC) is a cosmological model in the framework of general relativity, advanced by the theoretical physicists Roger Penrose and Vahe Gurzadyan.[1][2][3] In CCC, the universe iterates through infinite cycles, with the future timelike infinity of each previous iteration being identified with the Big Bang singularity of the next.[4] Penrose popularized this theory in his 2010 book Cycles of Time: An Extraordinary New View of the Universe.Penrose’s basic construction[5] is to connect a countablesequence of open FLRW spacetimes, each representing a big bang followed by an infinite future expansion. Penrose noticed that the past conformal boundary of one copy of FLRW spacetime can be “attached” to the future conformal boundary of another, after an appropriate conformal rescaling. In particular, each individual FLRW metric  is multiplied by the square of a conformal factor  that approaches zero at timelike infinity, effectively “squashing down” the future conformal boundary to a conformally regularhypersurface(which is spacelike if there is a positive cosmological constant, as we currently believe). The result is a new solution to Einstein’s equations, which Penrose takes to represent the entire Universe, and which is composed of a sequence of sectors that Penrose calls “aeons”.The significant feature of this construction for particle physics is that, since bosons obey the laws of conformally invariant quantum theory, they will behave in the same way in the rescaled aeons as in the original FLRW counterparts. (Classically, this corresponds to the fact that light cone structure is preserved under conformal rescalings.) For such particles, the boundary between aeons is not a boundary at all, but just a spacelike surface that can be passed across like any other. Fermions, on the other hand, remain confined to a given aeon. This provides a convenient solution to the black hole information paradox; according to Penrose, fermions must be irreversibly converted into radiation during black hole evaporation, to preserve the smoothness of the boundary between aeons.The curvature properties of Penrose’s cosmology are also highly desirable. First, the boundary between aeons satisfies the Weyl curvature hypothesis, thus providing a certain kind of low-entropy past as required by statistical mechanics and by observation. Second, Penrose has calculated that a certain amount of gravitational radiation should be preserved across the boundary between aeons. Penrose suggests this extra gravitational radiation may be enough to explain the observed cosmic acceleration without appeal to a dark energymatter field.As you will see in skydivephil’s video, there does seem to be empirical evidence supporting this model. Originally, such claims were met with controversy, but more recent work by researchers such as Meisner are far more robust.»

[Links alternativos: https://plus.google.com/u/0/102977258703229746475/posts/DxhachMd12E; https://plus.google.com/u/0/102977258703229746475/posts/Mn6gt2hcWfU]

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Curiosidades: A evolução de várias estruturas cerebrais

O cérebro (e em 2º lugar o coração) é o órgão mais importante do nosso corpo. Sem ele, o coração pode estar a bater, mas tudo o que a pessoa é (mentalmente) deixa de existir e o corpo fica inanimado, quase como morto, enquanto que o coração continua a bater, mas isso não traz a pessoa de volta. O cérebro é também responsável pela consciência humana (como em " consiousness" em inglês), tendo sido descoberta uma rede neural responsável pela manutenção da mesma. E eu pergunto-me, como muitos de vocês devem estar também a perguntar-se: como terá isto tudo evoluído? É claro que eu, como já devem saber os que me têm acompanhado aqui, volto-me para a ciência, neste caso para a neurociência, uma área ligada à psicologia e na qual se integra a neuropsicologia e a neurociência cognitiva, e pela qual tenho grande interesse (tanto que concluí recentemente um curso de neurobiologia avançada pela Peking University) e viro-me também para a biologia evolutiva, com todas as ciências que a apoiam. É claro que quem quiser voltar-se para a religião, nomeadamente para o criacionismo, é livre de o fazer, mas não se esqueçam de que eu também sou livre de lhes chamar burros ignorantes sempre que me apetecer.
Apresento então, alguns parágrafos sobre a evolução de duas estruturas cerebrais muito importantes:

EVOLUÇÃO DO CEREBELO

O cerebelo, ou "pequeno cérebro", evoluiu primariamente para o controle da postura e do equilíbrio, além de ser importante no planejamento e na coordenação do movimento e na estabilização da visão. Trata-se de uma estrutura oval, relativamente pequena (bem menor do que o cérebro), que se aloja na fossa posterior do crânio, atrás da ponte e da medula. Além de menor do que o cérebro, ele é, em humanos, bem mais convoluto (com muitas fissuras, sulcos, lóbulos e folhas cerebelares) do que os hemisférios cerebrais.

Considerando o aspecto embriológico, o cerebelo surge do rombencéfalo, que é a estrutura embrionária que dá origem ao bulbo, à ponte, além de ao próprio cerebelo. Sob a perspectiva da evolução, ele surge nos vertebrados ágnatos como uma especialização da chamada região acústica lateral, que, nesses animais semelhantes a peixes, recebe basicamente projecções mecanorreceptoras da linha lateral. Tendo, portanto, surgido em vertebrados marítimos mais antigos (lampreias e primeiros peixes) que haviam desenvolvido musculatura do tronco, o cerebelo responde pela necessidade desses primeiros vertebrados de coordenar seus movimentos natatórios.

Em uma fase evolutiva inicial, o cerebelo surgiu em vertebrados supostamente primitivos, como as lampreias, animais aquáticos sem membros que realizam movimentos ondulatórios simples. Nesses animais, o arquicerebelo (formado pelo nódulo do vérmis e pelo flóculo dos hemisférios cerebelares), por intermédio de informações dos canais semicirculares da orelha interna, permite uma movimentação muscular equilibrada do animal no meio aquático. Quando surgem os peixes com membros, ou seja, nadadeiras, os movimentos tomam-se mais elaborados. Aqui os receptores que informam sobre o grau de contração dos músculos das nadadeiras enviam tais informações ao paleocerebelo (formado também principalmente pelo vérmis cerebelar), para que este coordene a movimentação desses membros. Nos animais com quatro membros (tetrápodes), é o paleocerebelo que controla a movimentação coordenada dos quatro membros, sejam eles anfíbios, répteis, aves ou mamíferos.

O cerebelo apresentou aumento de tamanho, desenvolvimento e complexificação importante com o surgimento das aves. Por que tal estrutura se complexifica de forma tão acentuada nas aves? A resposta mais provável decorre do fato de haver surgido nas aves a necessidade de coordenação de movimentos relacionados ao voo e da postura em dois pés (e não em quatro, como nos répteis). Esses animais passaram a necessitar de uma estrutura mais sofisticada de controle da postura, equilíbrio e movimento em seus sistemas nervosos. De toda forma, o cerebelo também varia muito entre os distintos grupos de aves e pássaros, variação que depende do tamanho global do cérebro (escalagem alométrica), da forma do crânio, de distintas exigências funcionais e ambientais e da combinação de tais fatores.

O cerebelo dos mamíferos difere do das aves por possuir hemisférios ou lobos laterais que muito se expandiram, sobretudo em mamíferos com cérebros grandes. Tais lobos laterais passaram a constituir a maior parte do cerebelo dos mamíferos. Entre as diferentes ordens e famílias de mamíferos o cerebelo é distinto; é maior em carnívoros, artiodactyla (porco, carneiro, camelo, girafa, boi, veado) e perissodactyla (anta, cavalo, rinoceronte) e menor em roedores (rato, coelho) e insetívoros (toupeira). No ornitorrinco, o cerebelo é grande, com muitas fissuras e relaciona-se funcionalmente com a eletrorrecepção (capacidade de detectar campos elétricos). Em morcegos, embora o cerebelo seja relativamente pequeno, seus lóbulos paraflocular e VIII do vérmis estão aumentados e envolvidos no complexo processo auditivo desses mamíferos voadores noturnos que utilizam os ecos sonoros para se localizarem. Nos cetáceos, em particular nos golfinhos, é muito desenvolvido, tendo um volume proporcional maior do que nos primatas (nos quais o desenvolvimento do cerebelo foi também bem acentuado). É provável que esse crescimento muito acentuado nos golfinhos se relacione com a sofisticação de movimentos demonstrada por esses animais e com o controle motor necessário para a produção das emissões sonoras, igualmente sofisticadas.

Os mamíferos nos quais as funções do cerebelo se desenvolveram de forma mais intensa foram os primatas e, em particular, o Homo sapiens. Assim, surgiu em alguns primatas a capacidade de utilizar os membros para a realização de movimentos finos, delicados e assimétricos, e isso exige uma coordenação ainda mais apurada. Entre os primatas, demonstrou-se que o cerebelo é mais desenvolvido (45% proporcionalmente maior) em grandes símios africanos (chimpanzé, gorila, orangotango) e hilobátides (gibão, siamango) do que em macacos como os saguis, micos, macacos-prego e mandris.

Assim, no cerebelo de alguns mamíferos, desenvolve-se a contento o chamado neocerebelo (relacionado principalmente aos hemisférios cerebelares e não tanto ao vérmis cerebelar). O neocerebelo coordena os movimentos finos, como o das mãos e dos dedos no Homo sapiens. Possuir tal neocerebelo (além do sistema motor piramidal dos hemisférios cerebrais), por exemplo, permite a capacidade para os intricados movimentos de mãos e dedos de uma bordadeira, de um malabarista, de um pintor ou escultor que produz miniaturas, de alguém que escreve (pense-se na escrita chinesa ou árabe) ou de um pianista ao executar um noturno de Chopin.


EVOLUÇÃO, ESTRUTURA E FUNÇÃO DO CÓRTEX CEREBRAL

O córtex cerebral é uma camada superficial de substância cinzenta composta pelos corpos dos neurónios (núcleos celulares). Mesmo que já se reconheça um córtex cerebral nos répteis e nas aves, foi apenas nos mamíferos que se desenvolveu de forma mais acentuada. Nestes, pela primeira vez na evolução, passou a apresentar seis subcamadas e uma organização citoarquitectónica bastante complexa. O córtex cerebral é de particular importância, pois de sua integridade dependem funções como as percepções, os movimentos voluntários e o aprendizado (e, nos humanos, a linguagem e habilidades cognitivas complexas como planeamento, abstracção e simbolização).

O córtex cerebral divide-se em dois tipos básicos: isocórtex e alocórtex. O isocórtex é o mais recente na história filogenética, por isso também designado neocórtex (assim isocórtex = neocórtex, mas, por motivos anteriormente explicados, deve-se preferir a designação isocórtex). A organização laminar do isocórtex parece ser similar em todos os mamíferos, sugerindo que um design ancestral foi muito útil, de tal forma que permaneceu inalterado nos grupos modernos. Na maioria dos mamíferos, o isocórtex tem seis camadas. Em relação às seis camadas de neurônios, da superfície para a profundidade, de forma simplificada, pode-se dizer que cada camada tem funções específicas, como descrito a seguir:

A camada I, ou molecular, logo abaixo da pia-máter, se constitui como uma fina camada de escassos neurônios (células horizontais de Cajal) e recebe os dendritos apicais das células piramidais situadas nas camadas mais profundas.

A camada II, camada granular externa, constituída principalmente por células granulares (Kòmerzellen), cujo número aumentou progressivamente na filogênese.

A camada III, formada por células piramidais pequenas e de tamanho médio que estabelecem comunicações com outras regiões do córtex, sendo importantes, portanto, também para a integração do córtex no sentido horizontal.

A camada IV, granular interna, é constituída por pequenas células estreladas (Stemzellen) e por células granulares, recebe inputs de ativação subcortical do tálamo ou de outras partes do córtex, sendo desenvolvida nas áreas sensitivas do córtex.

A camada V, formada por grandes células piramidais que projetam seus axônios para estruturas subcorticais. E muito desenvolvida nas áreas motoras do córtex.

A camada VI, mais profunda, formada por células fusiformes, envia especificamente informações de feedback para os núcleos talâmicos ou para outras áreas corticais que forneceram inputs para ela.

Evolutivamente, as células das camadas mais superficiais parecem ser mais recentes e participam, sobretudo, da génese de circuitos locais que aumentam a capacidade de processamento. Além dessa organização citoarquitetônica em camadas paralelas da superfície para a profundidade, verifica-se no córtex também uma sofisticada arquitetura vertical em microcolunas celulares, observáveis mais facilmente nas camadas III e V do isocórtex. Essas microcolunas celulares formam unidades funcionais básicas do córtex, cuja significação tem sido muito debatida. Alterações da organização das microcolunas em transtornos mentais como o autismo, com variação da espessura e do número das microcolunas, têm sido identificadas.

Do ponto de vista funcional, há três tipos de córtex: o córtex sensitivo, que recebe inputs, informações dos órgãos do sentido (tato, visão, audição, olfato e propriocepção), do ambiente externo e interno do organismo; o córtex motor, relacionado a ações do organismo, como contrações musculares para a realização dos movimentos, emissão de sons, produção da fala, etc.; e um terceiro tipo de córtex, que não se relaciona diretamente nem à sensibilidade nem à ação, o córtex associativo, relacionado à integração de distintas informações em uma mesma modalidade sensorial e entre distintas modalidades sensoriais, além de elaboração de planos de ação, aprendizado e, de modo geral, de toda a cognição mais complexa e flexível. Nas áreas corticais associativas, o isocórtex, ou neo-córtex, é dito homotípico, sendo as camadas bem individualizáveis. Nas áreas corticais sensoriais e motoras, o isocórtex é do tipo heterotípico e se divide em granular (que corresponde ao córtex sensorial) e agranular (que corresponde ao córtex motor).

A diferenciação das áreas corticais depende de um controle genético. Os genes Envoi e Emx2 são expressos na parte anterolateral em mínimas concentrações e na região posteromedial em altas concentrações. Já para o gene Pax6 é o contrário, expresso minimamente no córtex posteromedial e ao máximo no anterolateral.
O isocórtex como estrutura não é absolutamente novo, posto que se aceita que ele é homólogo ao córtex dorsal dos répteis e também possivelmente a uma região subcortical (também dos répteis) chamada crista ventricular dorsal (dorsal ventricular ridge). Entretanto, o córtex dorsal dos répteis é uma camada bastante fina e pequena de tecido, apresentando raramente mais do que uma faixa única de neurônios. Em contraste, os mamíferos apresentam um isocórtex configurando uma grossa camada cortical, dividida em várias camadas de células, com diferentes tipos e densidades celulares.

Em contraposição ao isocórtex, o alocórtex é um tipo de córtex mais antigo na história filogenética, tendo quatro camadas e não seis, como o isocórtex. Divide-se em arquicórtex, sendo este o tipo de córtex do hipocampo, e em paliocórtex, que é o tipo de córtex do úncus e de parte do giro para-hipocampal.
Cabe lembrar que, enquanto peixes, répteis e aves têm paleocortex e arquicórtex, apenas os mamíferos apresentam um isocórtex ou neocórtex.

A medida que os mamíferos evoluíram, ocorreram dois processos com o córtex das diversas ordens:
I - O alocórtex (antes designado arquicórtex e paleocortex), de modo geral, se desloca para uma posição mais ventral, e o hipocampo (também formado por alocórtex) dobra-se na massa visceral embaixo do isocórtex;

I - O isocórtex (também designado neocórtex) se expande muito e começa a dobrar-se sobre si mesmo, formando os giros, os sulcos e as fissuras que caracterizam o cérebro muito convoluto de cetáceos, elefantes e grandes primatas.

Dessa forma, o córtex cerebral se transformou bastante ao longo da evolução dos vertebrados, diversificando seus tipos de neurônios, diferenciando sua estrutura laminar de variadas formas, alterando suas conexões, mudando seu tamanho global e os tamanhos das diversas áreas corticais, adicionando novas áreas corticais e dividindo áreas em módulos especializados de unidades de processamento. Obviamente, mudanças no isocórtex foram acompanhadas de mudanças em outras áreas do sistema nervoso. Além disso, nos distintos mamíferos, a quantidade relativa de isocórtex foi ganhando proporções diferentes. Por exemplo, entre diferentes ordens de mamíferos, verificam-se distinções significativas: nos insetívoros ou soricomorpha (como a toupeira), com seus cérebros pequenos, o isocórtex e as fibras subjacentes formam menos de 30% do tamanho total do cérebro, que é o mais liso, com menos giros; em contraste, cerca de 70% do cérebro dos macacos é formado por isocórtex, compreendendo 75% do cérebro dos chimpanzés e cerca de 80% dos cérebros humanos. Outra maneira de expressar a importância relativa do isocórtex nos mamíferos é comparar a proporção de isocórtex com alocórtex ou arquicórtex. Assim, o porco-espinho, um mamífero mais próximo do ancestral comum a todos os mamíferos, tem uma proporção de volume de isocórtex em relação ao alocórtex de 3:2; nos grandes primatas, tal proporção aumenta para 30:1.

Os mamíferos, de modo geral, apresentam uma ampla faixa de adaptação tanto à vida terrestre como aquática. No início, há cerca de 220 a 200 milhões de anos, seu sucesso como classe deveu-se, em parte, a uma nova estrutura, o córtex cerebral olfactivo. Essa expansão do tecido nervoso proveio da parede dorsal de estruturas cerebrais olfactivas mais antigas. Com a evolução das diferentes ordens de mamíferos, ocorreu um deslocamento do controle funcional para outras áreas do cérebro. Além disso, a função fundamental de integração das informações oriundas das várias modalidades sensoriais passou a depender cada vez mais da dominância cortical sobre o controle talâmico. Por conta disso, o tálamo, com suas subdivisões correspondentes às áreas neocorticais apropriadas, foi se tornando cada vez mais subordinado ao controle do isocórtex.


Qual a minha opinião sobre a abordagem behaviorista e cognitivo-comportamental da psicologia?

Ora bem, penso que está na altura de tirar as teias de aranha e o pó a este blog. Desde de que tenho blog no tumblr que tenho actualizado o blog com muito menos frequências e julgo ser fácil perceber porquê. No entanto o blog não está "morto" e agora quero aproveitar um tema que surgiu lá também a propósito de umas questões que me foram colocadas, que são sobre o behaviorismo e a análise comportamental. Ora, na minha opinião (e de muitos especialistas e investigadores), a psicologia não pode viver apenas da abordagem behaviorista (incluindo a análise do comportamento). No entanto, é uma dos melhores em termos científicos. É muito mais científico do que, digamos, a abordagem freudiana e ainda é algo aplicável até hoje. A abordagem cognitivo-comportamental (em terapia e teoria), que é uma mistura da primeira com a cognitiva, é talvez a minha favorita porque ele funciona na prática. A TCC é uma das abordagens de tratamento mais bem empiricamente suportadas (inclusive para perturbações de personalidade) e a abordagem cognitivo-comportamental também explica os comportamentos mal-adaptados das pessoas (a maneira como foram aprendidas). Esta abordagem anda normalmente a par e passo com as neurociências (daí que existe até na minha universidade um mestrado em neurociência cognitiva e neuropsicologia). 

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Batendo na mesma tecla

Ah criacionistas burros! 
E pronto, eles lá continuam a usar o argumento da complexidade irredutível, e o meu texto hoje tinha que começar com um insulto - nada que não seja uma realidade, mas ainda assim um insulto. Também não sei uma maneira simpática de dizer a alguém que é burro. Talvez seja algo como: caro respeitado criacionista, o seu QI é provavelmente muito baixo, por isso deverá contactar um psicólogo clínico ou neuropsicólogo ou outro profissional da área que actue num destes campos da psicologia. 
Adiante, o facto de um sistema biológico apresentar complexidade irredutível não obriga a que esse sistema não possa ter uma origem que não envolva um designer inteligente. Vários exemplos, incluindo exemplos apresentados por Behe na sua obra “A caixa negra de Darwin”, demonstram isso mesmo. Por não podermos tirar uma "peça" agora, na presente forma do sistema funcional, pois este deixaria de funcionar não significa que não pode ter evoluído de um sistema arcaico bastante diferente e em muitos casos com outra função. Julgo que já tinha dito isto na primeira versão do blog para a qual existe aqui uma ligação bem visível. 
Assim me despeço nesta noite quente e comigo já estafada, que acabei de chegar a casa e deparei-me com isto, num texto [links para os comentários ao texto] ao qual eu respondi e outras pessoas mais bem informadas do que o autor também.

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Carapaça de tartaruga evoluiu pela primeira vez para cavar, depois para protecção

"... grandes garras para romper o solo e os ossos espessas para resistir a forças de compressão.
A carapaça da tartaruga é um maravilhoso exemplo de exaptação, processo evolutivo, onde um traço evolui para uma função e, em seguida, é cooptado para servir outra. Eles começaram como plataformas de escavação e, em seguida, tornaram-se armaduras. As penas são outro exemplo. Agora ajudam os pássaros a voar, mas provavelmente originaram-se como formas de manter o calor ou de sinalização para companheiros e rivais. "

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Macacos sem cauda


     Weirdest Human Mutations



As verdadeiras caudas vestigiais são prova da evolução e da ancestralidade comum com outros mamíferos com cauda:

«As with other atavistic structures, human tails are most likely the result of either a somatic mutation, a germline mutation, or an environmental influence that reactivates an underlying developmental pathway which has been retained, if only partially, in the human genome (Dao and Netsky 1984; Hall 1984; Hall 1995). In fact, the genes that control the development of tails in mice and other vertebrates have been identified (the Wnt-3a and Cdx1 genes; Greco et al. 1996; Prinos et al. 2001; Schubert et al. 2001; Shum et al. 1999; Takada et al. 1994). As predicted by common descent from the atavistic evidence, these tail genes have also been discovered in the human genome (Katoh 2002; Roelink et al. 1993). As discussed below in detail, the development of the normal human tail in the early embryo has been investigated extensively, and apoptosis (programmed cell death) plays a significant role in removing the tail of a human embryo after it has formed. It is now known that down-regulation of the Wnt-3a gene induces apoptosis of tail cells during mouse development (Greco et al. 1996; Shum et al. 1999; Takada et al. 1994), and similar effects are observed in humans (Chan et al. 2002). Additionally, researchers have identified a mutant mouse that does not develop a tail, and this phenotype is due to a regulatory mutation that decreases the Wnt-3a gene dosage (Greco et al. 1996; Gruneberg and Wickramaratne 1974; Heston 1951). Thus, current evidence indicates that the genetic cause of tail loss in the evolution of apes was likely a simple regulatory mutation(s) that slightly decreased Wnt-3a gene dosage. Conversely, a mutation or environmental factor that increased dosage of the Wnt-3a gene would reduce apoptosis of the human tail during development and would result in its retention, as an atavism, in a newborn.»

Enquanto que chimpanzés por exemplo não têm cauda, o facto de nós apresentarmos cauda, só afirma que temos ambos uma ancestral comum com cauda, pois a nossa relação filogenética já é evidenciada pela genética, e detecção de retrovírus no genoma, entre outras evidências. 

Para mais informações consultar a página web: http://www.talkorigins.org/faqs/comdesc/section2.html#atavisms_ex2  

Alternativamente, consultar o e-book em pdf: http://www.talkorigins.org/pdf/comdesc.pdf